As tradicionais raças, guzerá e sindi, estarão presentes na 55ª Exposição Estadual Agropecuária, de 2 a 7 de junho, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte. Ambas vêm se consolidando no mercado. No caso do guzerá, são mais de 150 criadores registrados no Estado. Os principais polos são Governador Valadares, Curvelo e Noroeste de Minas, de acordo com o presidente da Associação Mineira de Criadores de Guzerá (AMCG), Paulo Emílio de Almeida.
A raça, que surgiu na Índia, tem como características a pureza racial, precocidade, rusticidade, além de ser lucrativa e versátil, pois serve tanto para corte quanto para produção de leite, segundo Paulo Emílio. Apenas com alimentação a campo, o gado se mantém gordo. “É uma grande vantagem, pois come menos alimentos e ganha peso. E os insumos, como milho, são caros”, explica o dirigente. Cita também que há vacas guzerá que produzem leite com 18 anos.
Além disso, é utilizado, quase obrigatoriamente, para cobertura de vacas, haja vista que a maior parte do rebanho comercial brasileiro é formada por fêmeas aneloradas (nelore), conforme o presidente da AMCG. Acrescenta que a raça tem crescido em ritmo constante desde 2000.  Com foco no melhoramento do guzerá, a associação reúne os criadores, mensalmente, para uma rodada de conversas, onde são definidos alguns parâmetros sobre o animal. A maioria dos criadores reside em Belo Horizonte. 
Emílio relembra que o Guzerá foi o primeiro zebu que chegou ao Brasil, e é um bovino que produz mais sólidos (gordura e proteínas), que estão presentes no leite. Em relação à exposição, diz que é uma boa oportunidade para os criadores de divulgarem a raça.

Sindi

Já o gado sindi é originário de Kohistan, parte norte da província de Sind, atual Paquistão. No Brasil, a raça vem buscando consolidação no mercado, principalmente em Minas Gerais, cuja criação desse tipo de animal ainda é uma novidade, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), Ronaldo Andrade Bichuette, também criador e um dos expositores.
Em Minas, o rebanho é composto por cerca de 3 mil cabeças. Os principais criadores estão nas regiões de Divinópolis, Ituiutaba, Triângulo Mineiro e Curvelo, conforme Bichuette. Sobre as características do sindi, destaca a bela aparência (pelagem vermelha), precocidade, linhagem leiteira, porte mediano e rusticidade. Além disso, se adapta a diferentes solos e climas. “Também os bezerros nascem pequenos, o que é bom. Pois muitas vacas morrem ao parir por causa das crias grandes”.
Outra vantagem é que a raça é lucrativa, come pouco e converte mais, de acordo com o presidente da ABCSindi. Como exemplo, diz que uma vaca pode produzir até 36 quilos de leite. Acrescenta que a raça possui ótimo desempenho em abates técnicos (provas zootécnicas de avaliação do potencial de uma raça para produção de carne). Nestes testes, os animais são levados para frigoríficos para abate, e acompanhados por professores universitários para verificação do aproveitamento da carcaça após o processo de desossagem do animal. “No caso do Sindi, o rendimento da carcaça chega a 59%”, enfatiza Bichuette.
Sobre a presença na exposição, Bichuette diz que “como a raça está em expansão, é uma boa oportunidade para divulga-la”.

Fonte: Imprensa - 55ª Exposição Estadual Agropecuária