O gado Sindi é pertencente ao grupo das raças indianas, no qual também se insere o gado Gir. Originário do Paquistão, numa região com precipitação média muito baixa (250 a 300 mm). A raça Sindi despertou o interesse dos pecuaristas por apresentar alta adaptabilidade às regiões semiáridas. Essa característica faz com que a espécie seja mais explorada no nordeste brasileiro, região que corresponde a 77,16% da criação de Sindi no país. O cruzamento de Sindi com outras raças, tanto para produção de carne quanto de leite, despertou o interesse zootécnico/econômico pela região sudeste, que se destaca como a segunda maior exploradora da criação.
A rusticidade e tolerância ao calor não são as únicas características notáveis da espécie. Além disso, a valorização do gado deve-se à dupla aptidão no mercado pecuário, representando uma ótima alternativa tanto para produção de carne quanto para produção leiteira. Essa habilidade genética faz com que a espécie possa ser uma opção lucrativa. 

A criação de rebanho Sindi com finalidade para abate e produção de carne tem alto rendimento, sendo que em testes de abate técnico apresentou 58% em rendimento de carcaça, em propriedades localizadas na região sudeste do país. Por se tratar de um animal manso, apresenta facilidade no manejo do rebanho entre áreas ou piquetes; e por ser de pequeno porte, o gado Sindi atinge a idade de abate, com acabamento ideal, mais cedo do que animais de maior porte.
O potencial do gado Sindi se torna ainda mais expressivo quando é feito o cruzamento com outras raças, sendo que a obtenção de animais meio sangue Sindi x Nelore tem sido a opção mais utilizada para produção de carne nas fazendas que investem em melhoramento genético. Esses animais mestiços são mais encontrados na região sudeste do Brasil, onde os fazendeiros investem em negócios de maior valor agregado. O cruzamento é uma maneira rápida de se fazer melhoramento genético de bovinos, e busca reunir em um só animal características positivas de ambas as raças, aproveitando-se o vigor híbrido. A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) acompanhou, em 2013, o abate técnico de animais Sindi x Nelore, em uma propriedade localizada no estado de São Paulo, que demonstrou um recorde de ganho de peso dessa categoria animal. O lote confinado estava com idade entre 30 e 36 meses no abate, e apresentou rendimento de carcaça de 59,62%. Além disso, o ganho de peso animal atingiu níveis muito produtivos, com acúmulo de mais de 3 arrobas líquidas por mês.

A adequação do rebanho às situações adversas caracteriza o sistema de produção de gado Sindi como uma boa alternativa para regiões de escassos recursos alimentares, onde haveria dificuldade para criação de animais de grande porte. Além de se adaptar bem em pastagens de baixa qualidade, a raça apresenta certo grau de resistência à febre aftosa, tolera temperaturas elevadas através da regulação metabólica, produz carne de boa qualidade e com acabamento precoce. 

A vaca Sindi é enquadrada como uma raça zebu leiteira, podendo ser criada para essa finalidade utilizando animais puros (selecionados) ou obtidos através de cruzamentos. Na produção leiteira, há possibilidade de cruzamentos entre vacas Sindi e animais de raças europeias destinadas à produção de leite comercial, afinal, vale ressaltar que o girolando que é produto do cruzamento de vaca holandesa com Gir, alia muito bem o poder de produção leiteira da raça europeia com a rusticidade da zebuína.    

Apesar de haver aptidão dos animais para a produção de carne, a utilização original predominante da espécie é a leiteira. Nesse aspecto, as produções médias das vacas Sindi variam muito, de acordo com a seleção a que foram submetidas e conforme a região.

Os índices médios da produção leiteira no semiárido nordestino, utilizando vacas Sindi, podem ser consultados na tabela abaixo:

Tabela1 - Caracterização da exploração leiteira de Sindi no semiárido brasileiro. 
 

Variável

Valor médio

Produção média de lactação

2.266,70 kg

Duração média de lactação

250,1 dias

Lactação média diária

9,1 kg/dia

Peso médio ao nascer (machos)

22,05 kg

Peso médio ao nascer (fêmeas)

20,20 kg

Peso médio ao desmame (machos)

160 kg

Peso médio ao desmame (fêmeas)

130 kg

Eficiência reprodutiva

85,21%

Intervalo entre partos

13 meses

Idade ao 1º parto

31,3 meses

Peso ao 1° parto

305,7 kg

Período de gestação

283,30 dias

Peso médio das vacas adultas

335 kg

Fonte: Governo da Paraíba, 2014.
 

O gado Sindi é uma raça chave para viabilizar a criação de bovinos nas regiões que têm sofrido com as mudanças climáticas dos últimos tempos, e que vem se repetindo com mais frequência. Os países tropicais apresentam uma significativa demanda de animais mais rústicos, adaptados à seca, resistentes e produtivos. Mediante condições de baixa disponibilidade de pastos e outros volumosos, falta de água e baixa disponibilidade de capital, os bovinos da raça Sindi ainda conseguem fornecer benefício financeiro. Sua habilidade metabólica para sobreviver às altas temperaturas sobre precárias condições edafoclimáticas, capacidade de aproveitar recursos nutritivos pobres, juntamente com seu porte mediano e menos exigente em volume de alimentos, e sua capacidade de deslocamento a longas distâncias com cascos pequenos e duros lhe confere um melhor aproveitamento das áreas em questão.

Fontes consultadas

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU – ABCZ. Padrão da raça Sindi. Disponível em: . Acesso em: 02 nov. 2014.  

GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA. Produção leiteira da raça Sindi. Disponível em: . Acesso em: 02 nov. 2014.

LEITE, P. R. de M.; SANTIAGO, A. A.; NAVARRO FILHO, H. R.; ALBUQUERQUE, R. P. De F.; LEITE, R. M. H. Sindi: gado vermelho para o semi-árido. João Pessoa: EMEPA-PB /  Banco do Nordeste, 2001. 174p.

RODRIGUES, V.C.; ANDRADE, I.F.; FREITAS, R.T. et al. Rendimentos do abate e carcaça de bovinos e bubalinos castrados e inteiros. Revista Brasileira de Zootecnia, v.32, n.3, p.663-671, 2003.  

SOUZA, B. B.; SILVA, R. M. N.; MARINHO, M. L.; SILVA, G. A.; SILVA, E. M. N.; SOUZA, A. P. Parâmetros fisiológicos e índice de tolerância ao calor de bovinos da raça Sindi no semiárido paraibano. Revista Ciência e Agrotecnologia. v.31, n.3, p.883-888, maio/jun., 2007.

Elaborado por
Casa do Produtor Rural
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP

Lívia Delião Brigliadori                                                                                                      
Graduanda em Engenharia Agronômica
Estagiária - Casa do Produtor Rural - ESALQ/USP

Acompanhamento técnico
Fabiana Marchi de Abreu
Engenheira Agrônoma
CREA 5061273747
Casa do Produtor Rural

Coordenação Editorial
Marcela Matavelli
Agente de Comunicação
DRT 5421SP
Casa do Produtor Rural