A ABCSindi está se mobilizando para buscar apoio de entidades e enviar um ofício com objetivo de sensibilizar o governador da Paraíba, João Azevêdo, para a importância da manutenção da estrutura da EMEPA (Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba).

A Empresa foi extinta pela Medida Provisória nº 277, assinada pelo governador e publicada no Diário Oficial da Paraíba no dia 02 de janeiro. O documento determina a modificação de órgãos da administração indireta e dispõe sobre a fusão da  EMEPA, com o Instituto de Terras e Planejamento Agrícola do Estado da Paraíba (Interpa) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (Emepa). O novo órgão foi nomeado como a Empresa Paraibana de Pesquisa e Extensão Rural e Regularização Fundiária.

 

Muitos criadores, técnicos em ciências agrárias e produtores rurais da Paraíba e de outros estados do Nordeste se posicionaram contra a MP pois temem um possível impacto negativo na autonomia da EMEPA e o comprometimento da qualidade do serviço por conta da substituição dos profissionais que desenvolvem estudos científicos junto aos rebanhos de raças bovinas e de pequenos ruminantes há décadas.

Por parte dos associados da ABCSindi a preocupação maior é com o destino e a continuidade do projeto de seleção e melhoramento animal aplicado no plantel da marca “E”, bem como com a preservação de importante banco genético da raça Sindi.

Leia a carta do Presidente de Honra da ABCSindi, Paulo Roberto de Miranda Leite, que é conselheiro da ABCZ, foi pesquisador da EMBRAPA, participou da fundação e presidiu a EMEPA-PB e entenda as alegações:

“Lamentável informar aos criadores e selecionadores de todo o país, a dissolução da Empresa de Pesquisa Agropecuária da Paraíba - EMEPA-PB, através de Medida Provisória, pelo Governo do Estado da Paraíba.

Após 40 anos de pesquisas agropecuárias direcionadas a convivência harmônica de plantas e animais ao meio ambiente do semiárido nordestino, a EMEPA-PB, referência nacional e internacional, principalmente em genética com animais tropicais, a exemplos:Gir Leiteiro (81 anos de seleção); Guzerá Leiteiro (69 anos de seleção); Raça Sindi (a empresa foi responsável pela introdução dos descendentes da importação de 1952 do Paquistão no Nordeste); também referência em caprinos e ovinos tropicais e raças leiteiras e de corte exóticas, tais como: Boer, Dorper, Savana, Damara, Alpina Britânica, Parda Suiça, Alpina Francesa, Anglo Nubiana e entre cruzamentos de raças exóticas com nativas.

Seus pesquisadores dedicaram 40 anos para criarem um dos mais importantes e avançados bancos genéticos animal do País, sendo referência para todo o Brasil e para os países das regiões tropicais, principalmente das zonas tropicais áridas e semiáridas.

Não existe no País um criador ou selecionador dessas raças e associações promotoras de raças puras, que não tenham como referência em muitos aspectos, o nome ou marca da EMEPA-PB.

Com uma justificativa de economizar recursos financeiros se dissolve uma empresa de pesquisa sem avaliar qual era ou foi o valor incalculável para economia do estado, dos estados nordestinos e do país dessas pesquisas, publicações, seminários, palestras e acesso destes materiais ao universo de pequenos, médios e grandes produtores das zonas semiáridas do país, pois muitos produtos gerados pela EMEPA-PB, transformaram-se em soluções e riquezas para o agronegócio paraibano em particular e nacional de forma geral.

Para se firmar uma referência em pesquisas, uma marca reconhecida pelos produtores, e não só na área animal, mas também vegetal e de insumos, essa referência, essa memorização, essa partilha de conhecimentos, só se alcançou com muito esforços, dedicação, sacrifícios, competência, qualidade e reconhecimento da sociedade.

Dissolver uma empresa de pesquisa agropecuária e transformá-la em um departamento de um pool de empresas congêneres, misturando tudo em uma empresa de múltiplos propósitos e ações, significa secundarizar a pesquisa agropecuária, significa apagar um conceito, uma marca de 40 anos de intensa atividade. Era a única empresa do setor agrícola do Estado da Paraíba que tinha visibilidade e reconhecimento nacional e internacional.

É estarrecedor acabar com a pesquisa agropecuária da EMEPA-PB em favor de economizar recursos para o Estado; entramos no caminho inverso do desenvolvimento social, cultural e econômico da produção agropecuária.

Dizia MAHATMA GANDHI, o fundador da República da Índia e seu grande pai ‘meu país é tão pobre que não pode prescindir da pesquisa agropecuária’.”

 

As outras duas MPs do Governo da Paraíba discorrem sobre o setor de radiodifusão e a estruturação da nova Secretaria de Agricultura. Conforme João Azevedo, juntas, as três medidas vão criar uma economia de R$ 26 milhões aos cofres do estado e que as fusões apenas oficializam as gestões unificadas dos órgãos que já aconteciam. Para Azevedo, a maior parte da economia vai ser feita por meio do enxugamento de cargos comissionados. “Esta é nossa meta, fazer com que se preste o melhor serviço com o custo menor”, disse o governador.

 

Circula na web um abaixo assinado contra a fusão e com a reivindicação de se manter a autonomia da EMEPA.

O internauta pode participar pelo link: https://bit.ly/2SNLFHc