HABILIDADE MATERNA // A raça é de dupla aptidão, mas se destaca em produção de leite. Férteis, habilidosas e produtivas, as vacas Sindi desmamam bezerros pesados e saudáveis, além de parirem com facilidade.

Por Natália Escobar
Fotos: Gustavo Miguel e divulgação


O efeito causado pela maternidade se relaciona com vários fatores na produção pecuária. Ser uma boa mãe quer dizer cuidar bem da cria, dar muito leite e parir bem, entre tantas outras coisas que envolvem o ofício de ser mãe. As diferenças no peso ao nascimento, ou a taxa de ganho do nascimento até o desmame, são influenciadas pelas diferenças no ambiente materno fornecido pelas vacas durante a gestação e amamentação. Ou seja, a matriz exerce papel de extrema importância no ciclo pecuário.

O zebuíno é por excelência um animal dotado de grande habilidade materna. Porém, no Sindi, essa característica por vezes é mais evidenciada. A habilidade materna consiste na capacidade de uma matriz de propiciar as melhores condições à cria desde o ambiente intrauterino ideal ao desenvolvimento do feto, bem como facilidade no parto e, ainda, cuidar e ama mentar sua cria, saudável e pesada, até a desmama. E disso o Sindi entende.
 

O mexicano Mario Alvarez cria Sindi em Villahermosa, capital do Estado de Tabasco, no MéxicoA raça é de dupla aptidão, mas se destaca em produção de leite. Férteis, habilidosas e produtivas, as vacas Sindi desmamam bezerros pesados e saudáveis, além de parirem com facilidade. Essa habilidade materna foi um dos fatores para que o pecuarista mexicano Mario Jesus Guzman Alvarez se apaixonasse pela raça. Ele tem alguns exemplares na sua propriedade, o Rancho Califórnia, em Villahermosa, capital do Estado de Tabasco, no sudeste do país. Por lá, o clima é seco e úmido. Mas isso não é um problema para o Sindi, como narra Mario.

“O México conta com um rebanho de aproximadamente 30 milhões de cabeças, tratados extensivamente, mas ainda existe pouco Sindi por lá, o rebanho tem predominantemente sangue Brahman. Eu que estou tentando difundir a raça, aos poucos. Mas o que impressiona no Sindi é como ele é bom pra dar leite sem perder na carne. As fêmeas parem bem, bezerros fortes e pesados, e depois tem muito leite para dar”, admirase o criador.

Na foto, O mexicano Mario Alvarez, criador de Sindi em Villahermosa, capital do Estado de Tabasco, no México

 

Bruna Hortolani é gerente do PMGZ Leite, da ABCZBruna Hortolani, gerente do Programa de Melhoramento Genético Zebuíno (PMGZ Leite), da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), explica que um ponto que merece destaque nas mães da raça é a rusticidade. “Elas conseguem manter as produções sob condições básicas. São animais capazes de superar as adversidades. As fêmeas são capazes de desmamar bons produtos, sem grandes suplementações, com eficiência”.

“O Sindi é a solução para adaptações a condições difíceis de exploração”, acrescenta o pecuarista mexicano, Mário. Como a raça consegue consumir pouco e pro duzir muito devido a sua rusticidade, ela também produz filhos que possuem essa característica, seja no gado puro ou nos cruzamentos. Isso ainda com o bônus da boa carcaça para produção de carne.

No PMGZ Leite, a gerente Bruna conta que a raça está crescendo, mas ainda precisa de adesões. “Dentro do programa ainda não está disponível a parte de Avaliações Genéticas para a raça, pois o volume de informações ainda é pequeno. Sendo assim, temos incentivado a participação de mais rebanhos da raça junto ao PMGZ, para que futuramente eles possam ter a sua disposição todas as ferramentas que, atualmente, estão disponíveis para as raças Guzerá e Gir Leiteiro”.



Isabela Castilho é uma das filhas do tradicional criador de Novo Horizonte. Formada em Administração em Ribeirão Preto (SP), retornou para cidade natal com objetivo de participar da administração da fazenda, colocando o que aprendeu em prática. Desde 2005, quando Adáldio levou pela primeira vez em décadas um casal de exemplares Sindi para ExpoZebu, Isabela já estava lá, puxando os animais por todo parque. A paixão pela raça nasceu junto com ela, herdada do pai.

Ela também conhece a excelência do Sindi para produção de leite, e ficou satisfeita com o resultado do Torneiro Leiteiro. “A raça possui um diferencial muito grande quando se trata de habilidade materna. Isso é indiscutível. As matrizes mostram um excelente desempenho, não perdendo o seu escore corporal, e dando massa aos seus bezerros. Muitas vezes, os filhos antes mesmo de desmamar já estão maiores que a mãe”, conta.

“Durante o Concurso Leiteiro, dentre os números alcançados pela raça, devemos ressaltar a quebra de recorde pela fêmea Belga, que atingiu produção de 36,980Kg, ultrapassando em 4,2 Kg o recorde anterior. Esse, com certeza, já é um ponto que indica o crescimento e o potencial da raça, dando indicativos de que há muito por vir. Além disso, também tivemos a participação da raça Sindi no Campeonato Persistência. Um campeonato importante, que destaca o potencial dos animais na característica persistência”, conta a gerente do PMGZ, Bruna.
 

Recorde de produção
Durante a ExpoZebu 2015, a raça Sindi foi recorde de produção. Ao todo, o Torneio Leiteiro foi disputado por 64 animais, sendo 10 da raça de origem paquistanesa. Entre as vacas Sindi, a fêmea Belga, do criador Adaldio Castilho, de Novo Horizonte (SP), surpreendeu. A vaca produziu 36.980 kg totais de leite. O recorde anterior era de 32,602 kg. O 37º Concurso Leiteiro da ABCZ aconteceu entre os dias 3 e 5 de maio. “Ela já vinha produzindo muito e pela firmeza de produção eu já esperava um bom resultado”, comemora Adáldio.
 

 

Fonte: Revista Pecuária